Grupo Conviva

Autor -Rebeca Caldeira

Envelhecimento: genética ou hábitos de vida?

O processo de envelhecimento está associado à diversas modificações no corpo humano, tanto físicas quanto cognitivas. Apesar deste processo ser universal, ou seja, atingir todos os indivíduos, a forma e velocidade nas quais estas alterações se manifestam variam significativamente entre as pessoas. Isso porque o envelhecimento é heterogêneo, e acomete cada pessoa de uma forma. É comum observarmos um indivíduo de 90 anos em um estado de saúde geral mais positivo do que um indivíduo de 60 anos, por exemplo.

Nos últimos anos, os estudos têm apontado que tanto a genética quanto os hábitos de vida influenciam a forma como envelhecemos. No entanto, a carga genética não parece ser o principal fator a influenciar este processo, pois aproximadamente 30% do nosso envelhecimento está relacionado aos genes que herdamos de nossos pais e avós.

O restante parece estar fortemente relacionado aos hábitos que desenvolvemos durante toda a vida. Ou seja, indivíduos que se alimentam de forma saudável e equilibrada, não possuem vícios deletérios como alcoolismo e tabagismo, praticam regularmente atividade física, fazem com frequência exames médicos de rotina, buscam um equilíbrio emocional e têm uma vida social satisfatória, terão mais chances de envelhecerem com qualidade e saúde, tanto física quanto mental.

Estes hábitos devem ser seguidos desde a infância e não existe prazo para que sejam interrompidos, pois é muito importante que o indivíduo mantenha-se ativo fisicamente, mentalmente e socialmente mesmo depois de se aposentar ou atingir uma idade mais avançada.

O Japão, exemplo a ser seguido, possui uma das populações mais envelhecidas do planeta. Na província de Okinawa concentra-se o maior número de centenários do mundo, sendo que a grande maioria vive de forma autônoma e independente. Este grupo apresenta comportamentos que se repetem em outros grupos de grandes longevos existentes em outros continentes, como a boa alimentação e prática de atividade física. É importante ressaltar que este estilo de vida é adotado ao longo da vida e mesmo nas idades mais avançadas não é abandonado.

A influência do ambiente na Doença de Alzheimer

O ambiente exerce uma grande influência no comportamento, humor e até na capacidade cognitiva do indivíduo que possui Alzheimer. Portanto, é muito importante que os cuidadores atentem-se para criar um ambiente adequado e favorável para aquele quadro.

Organização

A organização do ambiente é fundamental para auxiliar no controle da confusão mental e de manifestações comportamentais como ansiedade e agitação e, portanto, o ambiente deve ser o mais acolhedor e tranquilo possível, com o mínimo de situações que possam ser interpretadas como ameaçadoras pelo idoso.

É importante que o local seja livre de ruídos e barulhos e seja bem iluminado, mas não de forma tão forte que chegue a incomodar a visão, sendo interessante existir um equilíbrio entre a luz natural e a artificial com o passar do dia. Dentro do possível é importante regular a temperatura do local e sempre permitir a entrada de ar fresco.

É crucial que o ambiente seja limpo e que os objetos e mobiliário estejam distribuídos de forma a não atrapalhar a passagem do idoso. Além disso, em casos mais avançados, quadros nas paredes e espelhos devem ser evitados, pois podem levar o idoso à maior confusão ou até alucinação. Evitar mudanças drásticas e repentinas nesse ambiente é mais um fator importante, pois o idoso pode estranhar e perder seu referencial. Outra estratégia bastante eficiente é etiquetar gavetas e armários, pois assim o idoso consegue ter mais autonomia e encontrar o que deseja.

Localização afetiva, de tempo e de espaço

Para indivíduos com Alzheimer, é muito importante que o ambiente ofereça referenciais que o auxiliem a se orientar no espaço e no tempo. Dessa forma, a primeira recomendação é que exista um calendário à vista do idoso em um local que ele esteja várias vezes por dia, e o ideal é que o calendário seja grande e bem visível. Além disso, sempre que possível, o cuidador ou familiar deve recordar em voz alta aquela data, estimulando que o idoso a repita. O mesmo vale para relógios, assim como é possível relembrar com frequência as estações do ano ao contemplar o clima do lado de fora.

Além disso, enfeitar o ambiente próximo às datas comemorativas pode auxiliar o idoso a se situar naquela época do ano (exemplos: carnaval, páscoa, natal etc).

É extremamente importante que o indivíduo interaja com o ambiente em que ele está inserido. Assim, outra estratégia que pode ser utilizada é a estimulação olfativa, ou seja, proporcionar naquele ambiente cheiros que possam integra-lo naquele espaço, como aroma de comida próximo ao horário das refeições, o aroma do café logo pela manhã, o aroma de flores, entre outros. O mesmo vale para o visual, sendo importante o ambiente conter objetos familiares ao idoso, assim como retratos de pessoas queridas; e para o auditivo, sendo importante tocar músicas agradáveis ao idoso em momentos de contemplação, escutar o som da chuva, o som da panela de pressão próximo ao almoço, entre outros.

Segurança

Em qualquer local, a segurança do idoso deve ser prioridade e, para isso, é necessário que o cuidador, de forma bastante sutil, sempre esteja atento ao idoso, e além disso algumas medidas básicas devem ser tomadas. São elas: retirar tapetes e outros objetos que possam contribuir para a queda; utilizar tapetes anti derrapantes no box; utilizar barras de segurança nos banheiros e em corredores muito longos; se houver escadas na casa, ela deve ser bem iluminada e com corrimão em ambos os lados; trancar portas que possam dar acesso à locais perigosos; deixar a chave do carro em local de difícil acesso; fazer com que o idoso sempre leve consigo um documento e anotação com telefone para emergências.

A importância da estimulação cognitiva para os idosos

A estimulação cognitiva tem por objetivo trabalhar e estimular as funções cerebrais da pessoa, ou seja, sua capacidade de memorização, concentração, coordenação, atenção, resolução de problemas, entre outras, visando preservar ou melhorar tais funções.

Entre idosos saudáveis, os quais apresentam redução do número de células nervosas, assim como uma diminuição na velocidade de condução do estímulo nervoso, a estimulação cognitiva é muito importante para desacelerar este processo e manter o cérebro trabalhando da forma correta por toda a vida.

Entre idosos com algum tipo de demência, como a Doença de Alzheimer, a estimulação cognitiva frequente – associada à medicação adequada – é fundamental para retardar o avançar do quadro e amenizar seus sintomas. Além de melhorar as funções cerebrais, a confiança, autonomia, auto estima e controle do idoso também melhoram com a prática da estimulação.

Estas atividades devem ser realizadas de forma mais eficiente por um especialista, mas também podem ser conduzidas pelos familiares ou cuidadores, através de jogos diversos, leitura e escrita, quebra-cabeça, cálculos, utilização de calendário, recordação de histórias, entre muitos outros. Lembrando que a atividade deve ser prazerosa para o idoso, e os resultados da estimulação cognitiva são potencializados quando associados à práticas físicas e ao convívio social.

Por que é tão importante cuidar do cuidador?

É comum que os indivíduos que cuidam de seus familiares idosos há algum tempo sintam-se esgotados física e mentalmente, visto que esta é uma tarefa geralmente sobrecarregante, a qual as pessoas não foram devidamente preparadas para exercer. Assim, por esta e outras razões, é necessário que o cuidador seja também cuidado; caso contrário ele pode perder a capacidade e a vontade de cuidar, o que prejudica o outro e a si próprio.

Neste cenário, algumas medidas práticas podem ser tomadas para que o ônus de cuidar seja amenizado, como estas citadas abaixo:

  • Alongar-se de todas as maneiras possíveis ao levantar-se pela manhã, mexendo todas as articulações do corpo;
  • Alimentar-se de forma saudável e beber no mínimo 2 litros de água por dia;
  • Fazer pequenos lanches entre as principais refeições, para recuperar a energia;
  • Ao mobilizar o idoso, fazer da forma correta sem sobrecarregar a coluna;
  • Manter a vida social ativa, reservando um tempo para ver os amigos, familiares etc;
  • Movimentar o pescoço e os dedos das mãos e dos pés 3 vezes ao dia, para mantê-los flexíveis;
  • Fazer atividade física pelo menos 3 vezes na semana (caminhada, corrida, andar de bicicleta, natação etc);
  • Manter a mente ativa (ler um livro, ensinar e aprender algo novo etc);
  • Em momentos de estresse, ir até um local calmo e silencioso e com os olhos fechados esvaziar a mente. Em seguida respirar fundo 3 vezes e, ao expirar, liberar toda a tensão;
  • Ter uma boa noite de sono, com pelo menos 6 horas de duração;
  • Buscar o apoio de amigos, família e grupos de apoio da comunidade;
  • Participar de Grupos de Apoio, pois muitos municípios oferecem grupos de apoio emocional para cuidadores de idosos familiares;
  • Acolher as dificuldades que possam surgir e fazer o melhor frente a elas, mas não se cobrar o impossível.

Lembre-se: Se você não estiver bem, não conseguirá cuidar do próximo!

Afinal, o que é um Centro-Dia ou Day Care para idosos?

Cada vez mais conhecidos no Brasil, os Centros-Dias ou Day Care estão se tornando a melhor solução para muitos idosos e suas famílias, visto que as pessoas estão vivendo mais e muitas delas precisam de auxílio e suporte a todo momento.

Uma vez que cada indivíduo envelhece de uma forma, estes espaços são voltados para aqueles idosos que possuem algum comprometimento físico ou cognitivo em estágios leves e moderados, e que necessitem de estímulos constantes para desacelerar a evolução do quadro, e que também carecem de convívio social.

Dessa forma, Centro-Dia ou Day Care é um espaço que tem por objetivo proporcionar estímulos físicos e cognitivos, experiências prazerosas e oferecer os cuidados necessários de alimentação e higiene, além de ser um espaço de interação e socialização.

Com o objetivo de manter o vínculo familiar do idoso, estes espaços funcionam de segunda à sexta feira, no horário comercial. Assim, o idoso pode sempre retornar ao conforto de sua casa e compartilhar suas experiências, e a família pode manter suas tarefas diurnas sem preocupações, reduzindo também sua sobrecarga.

Além de todos os cuidados de alimentação e higiene realizado por cuidadores, os Centros-Dias possuem uma equipe multiprofissional que irá realizar diversas atividades com eles ao longo do dia, como musicoterapeutas, arte terapeutas, educadores físicos, entre muitos outros, que irão trabalhar sempre levando em consideração o perfil e a limitação de cada idoso. Além disso, esta equipe fará o gerenciamento do cuidado de cada idoso, acompanhamento seu quadro e sempre promovendo orientações para os familiares.

 

Para mais informações, entre em contato:

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Os benefícios do contato entre idosos e jovens

Uma vez que as pessoas estão vivendo mais, é muito importante a presença de um novo olhar em relação aos valores da sociedade, enxergando as pessoas pelo que são e não pelo que produzem. Assim, o contato entre duas gerações, chamado de intergeracionalidade, não é apenas o convívio social entre pessoas de diferentes idades, mas sim a relação de convívio harmonioso e respeitoso que visa compreender os limites e as necessidades de cada geração, bem como as diferenças entre elas.

Estas relações tem sido cada vez mais comuns e trazem muitos benefícios para ambos. Para os idosos, estes benefícios incluem aumento da auto-estima, mais suporte social e assistência, sentimento de utilidade pois ensina e transmite suas experiências  sabedoria, e aquisição de novos conhecimentos e aprendizados. Para os jovens, podemos citar os inúmeros aprendizados e sabedoria que adquirem com os mais velhos, a valorização da velhice e quebra de preconceitos, e as reflexões sobre o próprio processo de envelhecimento.

Dessa forma, as trocas intergeracionais não devem acontecer apenas na família, mas também devem ser incentivadas em políticas governamentais, nos meios de comunicação e nas escolas. Só dessa forma existirá respeito mútuo entre as gerações, as crianças e jovens estarão conscientes do valor e importância dos idosos na nossa sociedade, e serão capazes de aceitar de forma positiva todas as fases da vida, uma vez que o envelhecimento é um processo natural e universal.